A COR DA ROUPA DO PAPAI NOEL
 
 
 
 
 


 


A COR DA ROUPA DO PAPAI NOEL
 
Um conto de Mario Neves
 

      

O ano de 1967 foi um ano muito difícil. Em plena ditadura militar e sendo um ano de transição e mudança de governo, fazia daquele ano um tempo de muita insegurança. Apesar da repressão e de tantas restrições impostas pelos militares, segmentos da sociedade não se calavam e clamavam por direitos tão necessários ao país, como o ar que o povo respirava.

Em oito de janeiro, no Teatro Paramont, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, artistas e escritores protestam contra a nova Lei de Imprensa. Ainda em janeiro o Congresso Nacional promulga a nova Constituição do Brasil. O M.D.B., Movimento Democrático Brasileiro exige em vão a revisão da mesma. Apesar dos protestos de intelectuais e artistas a nova Lei de Imprensa é aprovada em 9 de fevereiro de 1967.

Em março, mais precisamente no dia 15, em Brasília, o Marechal Arthur da Costa e Silva e o deputado Pedro Aleixo, eram empossados respectivamente nos cargos de presidente e vice- presidente da República.

O clima era muito tenso na nação. A margem do governo militar a guerrilha agia no interior do país. Em abril oito guerrilheiros do Movimento Nacional Revolucionário são aprisionados na Serra do Caparaó, situada entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Em dezembro aconteceu o VI Congresso do P.C.B., Partido Comunista Brasileiro, que neste evento condena a opção pela luta armada, que vinha desenvolvendo grupos dissidentes, como o P.C.B.R, o M.R.8, a A.L.N., a U.P.R. e o P.C.R.

Citando coisas mais amenas diríamos que a música “Mascara Negra” de Zé Kéti e Hildebrando Pereira era o sucesso musical do ano. Na literatura Antônio Callado lançava o seu romance “Quarup”, que logo em seguida era censurado e apreendido. O destaque no cinema era o filme “Garota de Ipanema”. A Rede Record de Televisão realizou com sucesso o seu III Festival da Música Popular Brasileira, onde Edu Lobo e Capinam ficaram em primeiro lugar com “Ponteio”; seguido por “Domingo no Parque” de Gilberto Gil em segundo; “Roda Viva” de Chico Buarque em terceiro e “Alegria Alegria” de Caetano Veloso em quarto.

Em 1967, um dos movimentos musicais brasileiros, a bem comportada e romântica “Jovem Guarda” entrava em declínio e emergia a “Tropicália” rompendo estruturas. O novo movimento liderado pelos baianos Gil e Caetano, unido ao pensamento outros autores e interpretes surgidos nos festivais da M.P.B., traziam um canto novo, onde nas entrelinhas falavam coisas que o regime militar não permitia que se dissesse abertamente. O canto engajado de baianos e não baianos, entusiasmava a esquerda intelectual e por outro lado passava a incomodar os altos escalões do governo militar.

        Este era o retrato sem retoque do ano de 1967, época em que se situa a narrativa que agora eu vou lhes contar.

 

Apesar de toda apreensão daquele tempo, um espírito magnífico e fraterno pairava no ar. O espírito natalino. Era dia 15 de dezembro de 1967. A cidade de São Paulo estava vestida para o natal, luzes coloridas e arranjos foram instalados nas ruas centrais. Na Barão de Itapetininga, na Vinte quatro de maio, na Rua Direita, na Rua São Bento. As vitrinas estavam enfeitadas e exibiam produtos de consumo. Nos grandes magazines e lojas de venda de discos, o som de canções natalinas ecoava pelo ar. Graças à paz do Menino Deus, que em breve iria nascer, as pessoas sorriam uma para as outras. Não apenas no centro mais em todos os lugares, pessoas armavam seus presépios, arvores de natal e enfeitavam com luzes coloridas um pinheirinho plantado diante de suas casas. Em todo o mundo a fraternidade parecia se tornar o vocábulo e o sentimento mais importante. Nações inimigas em litígio, esqueciam momentaneamente suas diferenças. Os canhões e as metralhadoras silenciavam, na “Guerra do Vietnã”, o principal conflito armado, que era travado na Indochina desde o ano de 1954, pena que esta paz não fosse perene, para sempre.

 

Numa grande loja no centro da cidade, um homem estuda, olha, um helicóptero a pilha, exposto sobre um balcão dentro do estabelecimento. A sua aparência humilde, as suas roupas surradas embora limpas, levantavam a suspeita que não fosse um comprador em potencial. O homem acaricia o brinquedo como se tivesse olhos nas pontas dos dedos.

A certa distância, dois seguranças da loja o observam. O relógio marca pouco mais de dezesseis horas. A admiração pelo brinquedo não passa de dez minutos e em seguida o homem vai embora.

No dia seguinte, dia 16 de dezembro, num horário aproximado ao do dia anterior, lá estava na loja aquele enigmático homem namorando outra vez o helicóptero.

-  Olha lá Alfredo! - Falou um dos seguranças da loja - É a mesma pessoa que esteve aqui ontem, acho que  pretende furtar o brinquedo.

- Vamos ficar de olho nele Adamastor. - Respondeu o outro.

        O homem examinava o helicóptero a pilha, como se não tivesse nenhum outro brinquedo na loja. E havia outras peças mais caras, mais sofisticadas numa quantidade e variedade muito grande. Mas o homem só tinha olhos para aquele helicóptero vermelho, que acionado ao comando das pilhas, girava suas hélices superiores e também as da cauda, sempre observado pelos seguranças.

Aquela cena veio se repetindo, sempre da mesma forma e no mesmo horário nos dias subseqüentes. Os seguranças da loja estavam curiosos demais com aquele homem. Afinal quem era ele?  O que pretendia? Roubar o brinquedo? Por que então não o fazia? Embora fosse um tempo de aviltamento dos direitos do cidadão, o homem não podia ser impedido de circular pela loja, que era um local público. Só poderia ser enquadrado como ladrão se fosse apanhado em delito. E para o desespero dos seguranças, o homem embora em atitude suspeita, não colocava a mão na cumbuca. Era o sétimo dia consecutivo que ele era visto admirando aquele brinquedo, nada além de uma contemplação platônica de um helicóptero vermelho movido a bateria

         - Adamastor - Falou um dos seguranças - Hoje eu vou atrás deste homem. Desta vez eu descubro todo este mistério.

- Atrás dele onde? A nossa obrigação é somente aqui dentro da loja, o que ele faz fora daqui não é da nossa competência.

- As minhas duas últimas noites não dormi pensando nesta estranha criatura e não quero outra noite de insônia. Hoje vou saber quem é este homem, onde mora e o que pretende.

Como se fosse cronometrado o tempo o homem deixou a loja e o segurança como havia prometido saiu ao seu encalço.

O suspeito, sempre seguido por Alfredo, se dirigiu a um ponto de ônibus. Quando o homem levantou o braço dando sinal ao motorista de um coletivo que se destinava a Engenheiro Goulart, o segurança decidiu que iria fazer também aquela viagem.

Ambos sentaram se lado a lado. Alfredo pelo canto dos olhos estudava o homem. Semblante calmo, ar pacifico, não tinha aparência de ser um meliante. Isto confundia cada vez mais o aprendiz de detetive. O ônibus tomou a direção da marginal do Rio Tietê, em sentido à zona leste da cidade e um pouco além da sede do Sport Clube Corinthians Paulista, entre dois viadutos onde se formava uma favela o homem desceu. Alfredo desceu também e a acompanhou a sua caça até vê-la entrar em um barraco feito de retalhos de madeira.

Alfredo chegava ao fim da linha e nada ou quase nada sabia do tal homem, senão o barraco onde morava.

Dia 22 de dezembro, quatro horas da tarde e eis que o estranho homem entra loja adentro para o seu costumeiro ritual.

- Eu desisto de querer entender este homem. - Falou Alfredo ao parceiro - Ou ele é louco ou vai acabar me deixando maluco.

- O que você descobriu sobre ele ontem?- Indagou Adamastor.

- Nada. Nada além de que ele mora numa favela na zona leste.

- Não podemos detê-lo apenas porque olha um brinquedo...Podemos? - Argüiu Adamastor.

-  Não! Mas é bom a gente comunicar a atitude suspeita deste homem ao encarregado da segurança. - Respondeu Alfredo.

 

No dia 23 a surpresa dos seguranças do grande magazine foi outra. Depois de oito dias consecutivos o homem não apareceu na loja.

- Cadê o homem do helicóptero vermelho? Já passa das dezessete horas e ele não deu sinal. - Disse Alfredo ao companheiro.

- Quem sabe cansou da seção de brinquedos e procurou outro departamento. Queria que ele fosse no andar da perfumaria e furtasse muita coisa por lá. Quem sabe se isto não abaixaria a crista do Guilherme, que se julga o segurança mais eficiente da casa.

 


Na véspera de natal o homem retornou a loja, não as quatro da tarde como de costume, mas após o almoço, uma da tarde mais ou menos. Na  mão esquerda trazia presa ao corpo à altura dos quadris, uma caixa muito bem embrulhada com um papel listrado em verde e branco, exclusivo daquela loja.

Ao vê-lo Alfredo e Adamastor, surpresos se entreolharam e um deles falou:

- Hoje ele não veio só para olhar. Já fez até compra, olhe aquele pacote que ele tem na mão.


Num breve cochilo dos seguranças, o homem levantou a caixa, que estava vazia e era aberta na parte inferior. Colocando esta sobre o helicóptero, o brinquedo ficou oculto dentro da embalagem. Em seguida o homem arrastou o pacote para junto do corpo segurando o helicóptero com as pontas dos dedos para que este não caísse e com a caixa debaixo do braço foi deixando a loja.

- Adamastor! Cadê o helicóptero? O brinquedo sumiu?

- Onde está o misterioso homem? - Gritou o outro.

Ambos olharam para a porta principal onde viram o suspeito saindo calmamente.

Os dois seguranças ainda correram até a rua, era tarde, quem eles procuravam havia desaparecido no meio da multidão.

Foi acionada a polícia para a ocorrência e o gerente da loja esbravejava tanto com sua equipe de segurança, bem como também com os policiais.

- Um homem que já rondava a loja a mais de uma semana. - Berrou o gerente se dirigindo aos seguranças - Um gatuno que vinha aqui só para roubar, e vocês sabiam disso e não me pegam o homem. Que seguranças de merda são vocês?

- Eu conheço o homem. - Falou Alfredo - Sei até onde ele mora, não será difícil prendê-lo e recuperar o brinquedo.

- Tenente...Vá atrás do meliante. Meu funcionário o acompanhará para mostrar onde o patife mora.

-  Senhor, estamos de serviço aqui no centro. Neste tempo de festas muitas ocorrências importantes precisam ser atendidas, não posso me deslocar para a zona leste com meus homens, apenas por causa do furto de um brinquedo.

- Vai se deslocar sim senhor. Minha loja paga todos os impostos, paga o salário de vocês para ter segurança. Aqui aconteceu um delito que não pode ser avaliado pelo valor da peça que foi furtada. Ladrão é sempre ladrão, roube ele um tostão ou milhão.

O comandante da viatura não teve alternativa diante da colocação do gerente. Chamou seus homens e em companhia do segurança Alfredo saíram com destino à zona leste.

O centro da cidade estava muito agitado neste dia, do Viaduto do Chá até o Parque D. Pedro a viatura precisou parar três vezes para atender duas pequenas ocorrências e uma mais grave de tentativa de assalto.

Quase uma hora depois, viatura estacionou diante do barraco indicado por Alfredo. O tenente desceu do carro, ajeitou o coldre. Olhou para o relógio, faltavam cinco minutos para as três da tarde. O comandante falou:

Dêem-me cobertura!

A porta do barraco lembrava a letra da música “Chão de Estrelas” de Orestes Barbosa, não tinha trinco. O policial a empurrou com o cano do revolver e entrou.

Era uma habitação muito pobre. Quatro paredes feitas de pedaços de madeira, dividida ao centro por uma pesada cortina que um dia já fora vermelha, agora desbotada e coberta de pó tinha uma cor marrom.

Ao abrir uma das extremidades da cortina, o tenente viu uma cena que umedeceu seus olhos. Uma criança paralítica, de aproximadamente sete anos, sentada, apoiada por um travesseiro às costas tinha nas mãos um helicóptero vermelho e um brilho intenso de felicidade no olhar. Ao seu lado um homem que sentado em um banquinho, com lágrimas nos olhos se sentia igualmente feliz.

O homem se assustou ao ver o rosto do policial que por trás da cortina o observava. Levantou-se e foi falar com ele do outro lado do biombo. O menino enlevado pelo encanto do helicóptero nem percebeu a presença do tenente dentro do barraco.

- Por favor, senhor policial. Se foi a loja que o mandou até aqui, peço por Deus. Me prenda, me bata, faça o que quiser comigo. Mas não leve o brinquedo do menino. Passei dez dias contando os detalhes do presente que Papai Noel ia trazer pra ele.

O dono do barraco em prantos caiu de joelhos aos pés do policial e arrematou.

- Pelo amor de Deus! Pela sua família, pelos seus filhos se o senhor os tiver. Leve me preso, me castigue, mais deixe o brinquedo, daqui a pouco é Natal e não podemos tomar o helicóptero do menino.

- Fique tranqüilo amigo. - Falou o tenente com lágrimas nos olhos - Nem o senhor vai preso e nem eu vou levar o brinquedo.

- Obrigado senhor! Deus lhe pague.

O tenente Lopes levantou o homem que estava prostrado ao chão, abraçou-o com vigor e disse:

- Feliz Natal amigo e dê um abraço no menino por mim. E enxugando os olhos deixou o barraco.


 

Ao verem o policial sair sozinho e sem o objeto da busca, os homens que ficaram do lado de fora estranharam.

- Vamos embora daqui. - Ordenou o comandante.

- Não vamos prender o homem?- Falou um dos subordinados.

- Se tiver que prender alguém, eu vou prender é o gerente daquela loja.

Alfredo, segurança do magazine, olhou espantado para o tenente sem nada entender.

- Cabo Virgílio, toca para o centro. Vamos voltar para aquela loja. - Ordenou o superior.

- Mas tenente nosso plantão esta vencendo, daqui a quinze minutos é a troca de turno. Deveríamos ir para o batalhão!

- Deixe-me naquela maldita loja, depois vocês podem ir descansar.

A viatura retornou para o centro da cidade, onde deixou o tenente e o segurança Alfredo, indo em seguida para a sede do destacamento ao qual pertencia.

Tenente Lopes adentrando a loja de departamentos procurou pelo gerente. Este ao vê-lo veio ao seu encontro.

- E então tenente...Prendeu o marginal?

O policial não dando muita atenção a indagação do responsável pela loja, respondeu com outra pergunta:

- Quanto é que custa aquele helicóptero?

No ano de 1967, o padrão monetário do país havia mudado de cruzeiro para cruzeiro novo. A mudança ocorreu tanto na denominação como também no valor com o corte de três zeros. Para se situar melhor o salário mínimo vigente no país era de NCR$105,00.

- Quanto custa o helicóptero? - Repetiu o tenente diante do ar de espanto do gerente.

- Vinte e cinco cruzeiros novos. Por que?

- Porque vou pagá-lo. Providencie a nota fiscal.

- E o homem que me roubava a loja?

- A justiça divina se encarregará de julgá-lo.

O policial foi ao caixa, pagou a fatura e foi pra a casa para o merecido descanso. Tinha muita sorte de naquele ano passar o Natal ao lado da família.

 

O tenente Lopes passou  horas pensando naquele menino da favela. Olhava para seus dois filhos, saudáveis, ávidos à espera dos presentes que sempre recebiam após a ceia de Natal. Um filho inclusive tinha a mesma idade daquele menino. Em sua poltrona favorita, olhava para a sua sala, onde havia algum conforto. Ouvia o som natalino que vinha de seu toca disco estéreo, admirava o brilho das luzes que num incessante pisca pisca, dava um encanto colorido à árvore de natal. Mas de sua mente não saía aquele tosco barraco, dividido por uma cortina. De um lado um velho fogão, um jirau, uma mesa e um colchão de espuma amarrado ao meio por uma corda. Do outro uma velha cama e sobre esta o menino paralítico. Apesar de toda a pobreza do lugar, não saía de suas retinas o brilho de felicidade que se irradiava tanto dos olhos  do menino, quanto do homem que habitavam aquele barraco. O tenente olhava para o presépio agora. E via nele um outro Menino, o Menino Deus, o homenageado do dia, que tinha por cama a simplicidade das palhas de uma manjedoura. O militar a partir daquele ano de 1967, iria ver o Natal com outros olhos, ou melhor, com a alma e o coração.

A meia-noite os abraços, os brindes, os votos, a ceia, e a distribuição dos presentes. Após a confraternização com a família, o tenente subiu ao seu quarto, de onde desceu trajando sua farda de gala.

A mulher e os filhos espantados perguntaram quase em uma só voz:

- Você ainda vai trabalhar hoje?

- Não! Não vou trabalhar... Vou fazer uma visita a uns amigos que conheci ontem. Simone prepare uma bandeja com o que de melhor você tiver da ceia, enquanto tiro o carro da garagem.

- Daqui uma hora estarei de volta. - Falou o tenente acelerando o automóvel e partindo.

 

A favela dormia silente, quando um visitante noturno, com um grande travessa em uma das mãos e uma garrafa de champanha na outra entrava no barraco.

Pelo clarão que penetrava em réstias de luz pelas frestas das tábuas, o tenente viu o dono da casa que dormia sobre um colchão estendido no chão.

- Feliz Natal! Sussurrou o militar.

O homem acordou assustado, mas reconhecendo o visitante, acendeu a lamparina e respondeu:

- Feliz Natal pro senhor também!

Lopes entregou a bandeja de guloseimas natalinas ao dono do casebre, abriu o champanha e brindaram em um único copo de geléia que havia por ali.

Nenhum dos dois percebeu um par de olhos que espiava por detrás da cortina.

O tenente foi embora e quando o dono do barraco se preparava para novamente se deitar, ouviu uma voz miúda.

- Papai...Papai...

- Que foi meu filho...Durma que ainda é madrugada.

- Papai porque foi que a mamãe mentiu para mim.

- Quando foi que sua mãe mentiu filho, sua mãe era uma santa não mentia nunca. Que Deus a tenha.

- Mentiu sim papai, ela sempre me dizia que o Papai Noel tinha barbas brancas e usava roupa vermelha e hoje eu vi que isso não é verdade. O Papai Noel já foi embora?

- Já foi filhinho... Já foi...Agora procure dormir.

 


FIM
 
" Um Feliz e Santo Natal a Todos"

 

Mario Neves
  
 
 



Mario Neves